Sonho das crianA�as refugiadas sA�rias A� frequentar a escola

2 de outubro de 2015

Mohamed tem oito anos e nA?o deixa de sorrir, apesar de ter precisado fugir em 2013 com seus pais e seu irmA?o da cidade sA�ria de Aleppo, arrasada pela guerra, para se refugiar em Istambul. Seu maior sonho A� poder ir A� escola.

Em apenas alguns meses, Mohamed aprendeu a falar turco jogando futebol ou brincando com seus amigos do bairro de Esenyurt. sildenafil india.

“Vedat, Serkan, Sefa, Emre”, conta orgulhoso mostrando seus dedinhos. Mas como quase todas as crianA�as sA�rias da Turquia, Mohamed A� principalmente um refugiado.

“Gosto da Turquia porque na SA�ria hA? guerra. Aqui me sinto seguro”, diz o menino. “A parte ruim A� que nA?o posso ir A� escola. E gostaria muito de ir”, afirma.

Ao contrA?rio de muitos refugiados sA�rios que decidiram se aventurar no mar para chegar A� GrA�cia e dali partir a algum paA�s da Europa ocidental, o pai de Mohamed preferiu ficar por enquanto na Turquia.

“Quando a guerra terminar voltaremos A� SA�ria”, afirma Hussein, jA? que, segundo ele, “ir para a Europa A� muito complicado”.

No entanto, nA?o faltam incentivos para tentar a sorte mais a oeste. Oficialmente “convidados” da Turquia, os refugiados nA?o tA?m nenhum status e o acesso ao trabalho A� muito difA�cil, com a exceA�A?o de empregos ocasionais muito mal pagos.

Assim como outras crianA�as do bairro de Eseyurt, Halil nA?o teve opA�A?o. Aos 15 anos comeA�ou a trabalhar em um ateliA? de confecA�A?o de sapatos para alimentar sua famA�lia. Mas apA?s dois meses, foi embora porque o chefe se negava a pagar a ele as 1.250 liras turcas (370 euros) de salA?rio que devia.

O jovem conta, enquanto espera diante de um cafA� a sopa e o pA?o que pediu, que nA?o pA?de denunciA?-lo A� polA�cia porque nA?o tem visto de residA?ncia.

“Aqui A� como em casa. A� a guerra! Os turcos nA?o nos querem aqui”, afirma outro refugiado.

Dos 2,2 milhA�es de sA�rios que entraram oficialmente na Turquia desde o inA�cio da guerra civil, em 2011, apenas 260.000 vivem em acampamentos. Todos os demais sobrevivem como podem, trabalhando ou mendigando.

GeraA�A?o sacrificadaNa grande artA�ria comercial do centro de Istambul, a rua Istiklal, hA? muitas crianA�as pedindo dinheiro entre os turistas e as lojas de luxo.

A� o caso de dois irmA?os que percorrem as ruas vendendo pacotes de lenA�os de papel em troca de algumas moedas.

Mojtar, de oito anos, tem uma nota apertada em sua mA?o. “A� mais seguro se ele guarda o dinheiro”, conta seu irmA?o Mohamed, de 18 anos, mostrando as cicatrizes das facadas desferidas em seu ombro em uma tentativa de roubo.

Durante a noite, o dinheiro recebido nas ruas completarA? as 600 liras turcas (175 euros) mensais que o pai ganha vendendo sucata. O suficiente para comer, mas nA?o para construir uma nova vida nem para tirar da cabeA�a a ideia de avanA�ar em direA�A?o A� Europa.

“As famA�lias sA�rias buscam o mesmo que qualquer famA�lia do mundo. Querem viver seguras, ter um emprego com o qual cobrir as necessidades de seus filhos, levA?-los A� escola (…), dar a eles um futuro”, explica um representante do Fundo das NaA�A�es Unidas para a InfA?ncia (Unicef), Philippe Duamelle.

Dos 600.000 refugiados sA�rios em idade escolar, apenas um terA�o vai A� escola. Uma situaA�A?o que muitos pais justificam devido ao preA�o das escolas e sobretudo A� falta de visto de residA?ncia exigido para matricular os filhos.

Precisamente, a Unicef quer aproveitar a ajuda econA?mica aprovada pela UE aos paA�ses fronteiriA�os da SA�ria para construir escolas e facilitar o ensino dos refugiados sA�rios na Turquia.

Mohamed espera voltar logo A� escola para se tornar alfaiate. “Alfaiate nA?o”, diz o pai em tom de brincadeira. “Quero que vocA? seja mA�dico ou advogado”.

Para Philippe Duamelle, o futuro das crianA�as sA�rias refugiadas deve ser uma prioridade.

“Neste momento corremos o risco de sacrificar uma geraA�A?o inteira de crianA�as sA�rias”, afirma.

“As consequA?ncias seriam desastrosas, nA?o apenas para as crianA�as e seu futuro, mas tambA�m para a SA�ria, a regiA?o e provavelmente para alA�m dela”, completa.

Fonte: Uol

Estudantes refugiados sA�rios aguardam o inA�cio da aula em uma escola na Turquia

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